Para Bruno

Ali tem um menino que dorme, mas tem gente que não vê.

Já é uma cena que se adaptou a rotina.

Todo dia ele está ali e eu me pergunto: como tem gente que não vê?

Faça sol ou faça chuva, calor ou frio, ele continua ali, com olhar perdido e perdido…

Cada vez que passo, meu coração fica triste, uma dor dilacerante me corta a alma…

É insuportável passar por ele e não fazer nada, a falta de ação me mata…

Sinto-me impotente e este sentimento se multiplica quando penso que há muitos meninos como ele em todo lugar…

E continuo a me perguntar: como tem gente que não vê?

Seu nome é Bruno, é pintor, quer se casar, mas não sabe dizer porque está sem lar…

Chorei por ele, por mim e pelas pessoas que sofrem…

Chorei pelo abandono e solidão que senti…

Chorei pelo mundo que está doente…

Chorei pelas pessoas que não se importam com outras pessoas…

Mais uma vez fiquei diante da certeza de minha escolha…

Há muito que fazer…Ele tem fome…muitas pessoas tem fome, de alimento, de carinho, de amor…

Sei que há muita dor e sofrimento, mas há também amor e esperança…

E é a possibilidade de transformar que me faz acreditar…Há esperança, há esperança é só o que me faz continuar…

Escrito em 20/10/2011

Por Júlia Miguel

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