A heroína

Uma vez eu já fui heroína e é tão difícil lutar contra tudo e todos.
Lutar para vencer, lutar para ficar bem, lutar para não sofrer, lutar para controlar o que se sente. Lutar, lutar, lutar…
Quando se é heroína não é permitido sofrer, não há tristeza.
Fica-se à disposição, pois, afinal de contas uma heroína dá conta de tudo.
Não quero mais esse papel…quando fui heroína não me permitia ser…
Quero ser, simples, ser…
Quero ficar alegre quando estiver alegre e chorar quando meu coração doer.
Quero ser frágil quando sentir que está difícil continuar.
Quero um abraço apertado quando só isto acalmar a agitação que há em meu ser.
Quero um ombro amigo quando não mais suportar.
Quero alguém para me ouvir quando estou feliz e também quando não estou tão feliz assim.
Quero de vez em quando o silêncio e outras vezes quero ficar quieta e outras, quero só uma música.
Quero poder entristecer quando só isto fizer com que eu possa parar e me olhar, aprender e continuar…
Quero sentir, estou aprendendo a ser…
Estou me descobrindo…todos os dias, a todo momento.
Pode parecer que não, mas às vezes eu também sofro e também choro…
E a roupa de heroína já não me serve mais… E de vez em quando, ainda me espanto quando me vejo nua no espelho, de rosto limpo e de peito aberto…

Por Júlia Miguel

Escrito em 23/09/2011

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